O Diário da Balada
Por: renas54
Colunista e cronista, leia e curta as histórias e crônicas hilárias ou trágicas com baladas vividas por ele e por todos, contadas por sua visão. Nesta ultima atualização: "
Caçada Noturna"
    Caçada Noturna:

        Caçada Noturna

       
Ahhhh! Depois de uma considerável hibernada, o Diário da Balada volta com força total e segue seu rumo baladístico (!) entre banheiros mal cheirosos (possivelmente vomitados) e balcões de bar abarrotados de corpos suados e sedentos por um drink alucinante! No meio deste antropofagismo consumista, nós os rotulados e veiculados: IMPRENSA buscamos encontrar os melhores ângulos para um Snapshot perfeito, registrar um momento fiel e natural, coisa difícil de se ver em tantos sorrisos forçados perdidos no meio da fumaça dos ambientes. Contudo, amamos nós, profissionais da balada, toda essa zona organizada pois tudo é feito com muita responsabilidade, carinho e alegria! Uma profissão tão dificil quanto outras, mas quem não gosta muito são as namoradas...

        Aaiii... As NAMORADAS... Um caso à parte. - - Santíssimo senhor protetor dos fotógrafos de balada me proteja e dê-me forças suficientes para aguentar os tabefes que tomarei por veicular esta coluna! - - Exageiros uma pinóia! A coisa é séria mesmo! Se você, caro leitor desta humilde coluna, pretende trabalhar na maré da balada, prepare seu cucuruto para muitas pau-de-macarrãozadas na cabeça caso esteja mantendo um relacionamento sério e fiél atualmente, caso contrário, nem comece. A difícil conciliação do seu veículo de imprensa e do amor da sua vida começa quando o sujeito se depara com o disputado Sábado à noite. ELA quer ir ao cinema (assistir provavelmente um desenho) e você sente uma suave recusa (rsrsrs), uma leve atração então por uma "Festa da Vaca Louca" qualquer, pincipalmente por causa das Cow-Girls Tequileiras, coisa platônica mesmo.

        1ª Alternativa - Se morder por dentro, não se deleitar com as Vaquinhas e ainda ter que aturar a choradeira dela porque o Peixinho Nemo se perdeu do pai. 
        2ª Alternativa - Chutar o pau da barraca e mandar Ela caçar sapo com bodoque, afinal, é o seu trabalho e se ela não quer te acompanhar é por puro orgulho de não ceder aos seus princípios.
        3ª Alternativa - Ficarem em casa, assistirem todos os programas da TV emburrados feito caraças de posto de gasolina e se consolarem assistindo o programa Alegria Alegria onde o assistente de palco é um anão pitoresco e feio que faz Merchandising de um biscoito fulero que leva o seu nome: Dunga. 

        Nessas horas o consenso prevalece, as vezes pode não ser justo mas entenda o outro lado: ninguém gosta de ver o (a) namorado (a) se esfregando, OPS...! Ou melhor: trabalhando entre seres do sexo oposto lascivos por uma tiradinha de onda, uma lasquinha etc. Neste caso, a melhor alternativa seria mesmo a atividade conjunta das duas partes e quando eu digo conjunta é JUNTA mesmo, grudados e atentos ao menor sinal de movimento participativo / interesseiro do inimigo. 
        Somos praticamente animais em uma selva de perigos e luzes estroboscópicas, caçando e nos expondo como presas distraídas e sinceramente pouco preocupados com suas cores vivas, listras exuberantes ou camuflagens impecáveis. Estamos em extinção e a fonte que sacia nossa fome, nos mata de sede. 


                                                                                                        Renato R. Onorato

     Olha a Cabeleira do Zezé:

        Uaaaaaaarrrrgggh!!! Que preguiça! Finalmente acabou o carnaval e pudemos todos dormir um poukito mais. Acabaram as festas, os trios-elétricos desceram a serra, os pais de crianças irritantes com spray de espuma fecharam suas diárias nos hotéis e os estoques de glicose do Pronto Socorro estão se recompondo aos poucos. Não que o Carnaval seja uma data comemorativa energicamente INFERNAL, mas no Brasil, parece que só tem graça o que tem bunda de mulher, e celebrações balburdiantes no melhor estilo "Bati a cabeça! Bati a cabeça!".

        Durante os 4 dias de Zona Organizada (!), por vários lugares pude observar o quanto uma oportunidade para enforcar alguns dias de trabalho estimula as pessoas a fazerem coisas que talvez arrependam-se pelo resto dos dias desse ano bissexto. Para critério de magnitude, houve uma cena que até me lembrou um Show de Calouros destes que mulheres pedaçudas se esbofeteiam na lama, mas nesse caso a briga era séria, sensacionaaaal . . . O Pedro de Lara com certeza chamaria todas de vagabundas!
Enquanto isso, numa avenida não muito longe dali, um bêbado solidário empurrava o carro principal da Escola de Samba campeã. Se beber, não dirija nem empurre! Conseqüência: ser atirado dois metros longe por um segurança simpático e delicado metendo o cabeção na grade de proteção pasme, ainda pediu licença para mim para arremessar o bebum que nem um saco de batata!

        Mas é Carnaval "Mulhegada", "Nunca me diverti tanto!".

        Carnaval é tempo de ser amigo de todo mundo... Menos do palhaço que olhou para sua garota. Carnaval e Namorada combinam, basta você estar algemado a ela (ou ele... Vai saber né)! Se tiver que ir ao banheiro, vá junto! Que coisa romântica! Inclusive em épocas assim, minha velha teoria de que "em banheiro masculino (durante o carnaval principalmente) tooodo mundo é amigo, mas ninguém se cumprimenta!" Fica mais veemente.
        Cerveja não é bebida! É moeda! As maiores transações bancárias ocorrem na base da latinha ou da dose de wodka barata, inclusive porque Banco aberto mesmo neste carnaval, só a uns 900km daqui, em Assunção. Mas alguns trocados são sempre bem vindos para aquele dogão prensado com um monte de melecas dentro ou um lanchão de pernil com vinagrete (!!!), saudáááável!.

        Fim de festa vá pra casa! CUIDADO COM A CALÇADA!!!!! Putz ....

        Não importa se é dirigindo, ou babando no porta-malas do seu amigo ou no banco de trás com sua mina (ou macho! Lembram?), importante é que todos estejam bem e que o bebum arremessado feito saco de batata não tenha sido você. Esse não é o último feriado da sua vida! E se é pra se acabar de vez, que seja de cansado, de tanto pular e festejar com seus amigos, pelo menos você terá a segurança de não acordar num lugar escuro, fedido e apertado e se tocar que seus amigos esqueceram o porta-malas fechado.


                                                                                                                      Renato Russo Onorato

     Profissão Perigo:

         Final de Semana... Vai começar a correria. Mal chega a Sexta-feira e os nervos estão pululando para que tudo ocorra como previsto e na Segunda-feira, começar tudo de novo. A profissão de "fotógrafo digital de baladas" nem sempre é a mamata que as pessoas imaginam, no final das contas nem o sábado e o domingo servem para descansar...

        No início da semana, pendurado no telefone ou em giros pela noite são onde as negociações começam, enquanto uma equipe acerta as atualizações sempre constantes; tem festa pra acertar, VIP pra sortear, faixas, banners, flyers, patrocínios, pedidos, ahhh! Todo santo dia é uma correria, como internet, para manter tudo na mais plena ordem.
        Cinema, música, baladas e eventos, por dentro de tudo, informações quentes sempre precisam estar ao nosso alcance, isso tudo sem contar uma grande influência com os seus veículos de trabalho e uma enoooorme lista de contatos. Esquecer um nome? Inaceitável! Mas finalmente chegam as festas: mais confusão! E a Festa Fantasia? - na mesma noite da "Noite da Tequila". "Baile do Ridículo" depois do "Halloween" ! Pega os flyers no carro! Acerta as entradas e camarotes! Bateria das cameras? Tá faltando alguém . . . 
        Ufa! A correria acaba e por uns 20 minutos teremos "sossego" antes de começar a Clicar por aí. Eis que surge um novo empecílio: tentar conversar com as pessoas em meio aquela multidão fervorosa e barulhenta. Nos intermédios de tempo, alguém te puxa pelo braço para uma foto ou uma bebum qualquer lambe a sua orelha horripilantemente pedindo por um beijo que nunca vai ter e se tivesse sequer iria lembrar no dia seguinte, agachar para tirar a foto então, é um perigo! nunca se sabe quantos bêbados desavisados estão ao seu redor prontos para não verem você , tropeçarem e se estabacarem no chão. Vida de Webmaster-fotógrafo-de-balada não é fácil! Existem vantagens e regalias, mas achar que estar em tudo quanto é festa é um privilégio: Nhaum Nhaum Nhaum! Três horas da alvorada voraz é a hora de zarpar para casa, as atualizações não podem esperar pelas suas debandagens noturnas e convenhamos, a voz e os joelhos já te abandonaram faz tempo.
        Mas legal mesmo é conferir as fotos depois, sempre tem uma figura carimbada, um bicão engraçado ou um doidão achando que está na Ilha de Caras. Estamos despengolando de sono e cansaço mas o importante é saber que muitos nos acessaram durante a madrugada e puderam conferir a sua foto de duas horas atrás, fresquinha da silva! Nos descabelamos com os olhos baixos diante do computador enquanto somos movidos a Coca-Cola, café, etc, talvez a Red Bul queira nos patrocinar um dia.

        Correrias à parte, com responsabilidade e profissionalismo as coisas caminham por um bom rumo, basta nossa seriedade, capacidade e um certo jogo-de-cintura naquilo que gostamos de fazer, por final, é não achar que tudo é uma grande festa do Hawaii, onde no final você come uma maçã ou leva um amargo abacaxi.


                                                                                                                Renato Russo Onorato
  Eu, você, a Patty, o Maurício, o DJ e a Cuba Libre.
   Durante a noite, em inúmeros pontos espalhados pelo país, muitas pessoas estão fazendo exatamente o que você faz durante os finais de semana. Evidente que nos referimos a aquela balada sensacional que bombou num sábado inesquecível onde os primeiros raios de Sol sequer incomodam você e seu Dry Martini.

   Fazendo uma análise minunciosa da vida noturna entre pistas de dança abarrotadas de gente e banheiros mal cheirosos, podemos sintetizar algumas conclusões engraçadas e que muitos de vocês irão concordar balançando a cabeça num "sim" discreto. Vivemos intensamente a cada batida daquele Drum n' Bass nervoso ou um Trance frenético onde num mundinho paralelo, relacionamentos se constroem e se destroem, pessoas caem de risada ou de bêbadas e a única garantia que temos, é que na saída, vamos ter gasto mais que imaginávamos em consumação.


      :: O Barman ::

   Sim! Ele se desdobra a noite inteira, dorme pouco, não ganha gorjeta... Na hora da correria, nunca tente achar que você é amigo dele, porquê mesmo sendo, sequer vai prestar muita atenção no que você fala além do que vai beber. Pegando fichinhas e passando cartão enquanto uma mão sacode algo nada suave no shaker, a outra tira o gelo do copo daquela cliente chata que o mata de raiva e justifica: "Ah! Gathinhu! Por favor! Eu tô gripada". Ficam o meus conselhos por experiência própria:
   1 - O Barman não é o "amigo", o "chegado", "truta", "companheiro" muito menos um "meu querido". Se não souber o nome dele, não invente!
   2 - Aquela Caprichada na sua dose é valida, mas Barman não tem saco de ouro pra aturar as suas apurrinhações de bêbado. Não é a bebida que está fraca, é você que já está empacotando de vez!
   3 - Tirar o limãozinho, tirar o gelo, separar em três copos ou extravagâncias mais, as deixe para fazer no barzinho da sua casa. 
   4 - Se quiser um coquetel de frutas bem feito, peça num momento de pouco movimento, ou hospede-se num hotel, caso não esteja afim, tome o whisky mais vagabundo da prateleira. Sem Gelo!


      :: O Homem ::

   Ah... O Homem na balada... Um caso a parte; todas as mulheres do mundo podem definí-los num patamar que varia entre Cachorros e Vagabundos. Igualmente patéticos, rondam em grupos, duplas ou até sozinhos balangando um copo entre os dedos, á procura da primeira vítima da noite. 
   O Homem da balada é um cara pouco preocupado com o grau de embriagues da mocinha que pula feito um gafanhoto vesgo esbarrando o cotovelo em todos ao lado, define mulheres em grupos pitorescos como: Loiras, Morenas, Gatinhas etc. Acha o máximo passar a mão no cabelo da jovem que estava de passagem e jogar uma cantada porca e sem um pingo de originalidade. Enquanto vai buscar seu décimo copo de sei-lá-o-que no bar, encontra com os amigos e os cumprimentam como se não os visse a anos, mal lembra do tapinha nas costas que deu no mesmo enquanto esperava naquela fila highlander do lado de fora da balada. 
   Nisso, chega um outro amigo: 
   - Nosza! To muitzo loco...! Zó teim mina goztoza aki caralho!             Iszcorreguei na ezcadah... Pouuutzzzz.....! Hahahhaahha!
   Ta certo que nem todo Homem de Balada é assim, muitos levam a noite a sério, procuram sim, alguém pra ficar por toda a noite (apesar de mulher nenhuma acreditar), só tomam água tônica, percebem seu flerte e discutem a infuência do ketchup no ciclo menstrual da borboleta. A noite vai passar, o Homem vai embora feliz, sem um puto, levando os camaradas de janela aberta pra vomitar pra fora do carro ou umas 3 amigas de carona pra casa, bem devagarinho porque esta chapado olhando no retrovisor arrumando o cabelo na esperança de AINDA agarrar uma delas, porque ele "tá no lucro" ainda. Das DUAS, UMA... Ou ele é do tipo "Elogiado nos churrascos" ou ele é viado.


      :: A Mulher ::

   Símbolo da noite, a Mulher da Balada esguia-se na multidão fingindo não olhar para ninguém, discretíssima e sempre toda arrumadinha, começa cedo a balada: 
   15:35hs - Liga para a amiga. Inconformada por não ter uma saia nova para sair, pergunta se ela tem uma pra emprestar; afinal, seu salariozinho de secretária não banca um guarda roupas sempre novinho.
   16:35hs - Está falando com a amiga ainda, fofocou e falou mal de todo mundo. Com o pescoço duro de segurar o telefone no ombro, vai fazendo a unha com uma cor bem "Fashion".
   20:10hs - Seca o cabelo, faz escova, relaxamento, chapinha ou o diabo enquanto o seu celular (último modelo) freneticamente toca aquela musiquinha do elefantinho, muitas ainda vão ligar conferindo a cor da maquiagem, a blusinha, a carona etc.
   Na balada, a Mulher faz de tudo pra se dar bem e fazer inveja pra ex do ex namorado, que por sinal está lá, e ela roendo as unhas fashions finge estar em perfeito estado psicológico. Mas a noite é longa e logo ela toma uns trequinhos e não demora pro primeiro Homem vir babando com conversa mole, o que já é motivo pra primeira de muuuuitas idas ao banheiro com as amigas. Nessa altura do campeonato, já tá todo mundo beijando e essa é a hora que ela nem liga mais se o carinha que ta dando bola pra ela é o Bozo ou o Sidney Magal, beija e some, rezando pra não encontrar ele na saida.
   Lá pelas tantas, encontram-se todas largadas pelos sofazinhos. A escova no cabelo foi pro saco, a saia da amiga sujou de cerveja ("-Mas sai!"), as sandálias não comportam mais os pés inchados de tanto dançar mas estão na maioria feliiiizes e preocupadas e ansiosas se o carinha gatinho que conheceram irá ligar no dia seguinte.

   Ufa... Acabou! Mais uma balada de pura curtição para lembrar. No dia seguinte todos irão rir e lembrar dos micos e glórias da noite anterior; talvez de uma figura de cabelos espetados ou de uma mocinha que tomou uma pizada no dedinho do pé... Muito provavelmente lembrem daquele momento inesperado onde alguém aproximou-se de você descontraidamente com uma câmera digital e, com cara de dúvida, todos tentam ouvir o que ele fala e alegram-se ao finalmente entenderem o propósito. Éh assim mesmo, ele não quer um beijo seu ou seu celular emprestado... Inclusive, já conferiu a sua foto no site?


                                                                                                                Renato Russo Onorato

 

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